ALIMENTAÇÃO CONTRA A DEPRESSÃO

Daniela Marques Eckert - Nutricionista

Ao contrário do que muitas pessoas podem pensar, a depressão é uma doença muito frequente, segundo a Organização Mundial de Saúde, cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo é afetada por ela.
Os genes interferem em cerca e 40% no risco de desenvolver depressão, porém são os fatores ambientais os principais responsáveis pelo desenvolvimento da doença, entre eles o estresse crônico ou precoce, traumas emocionais e infecções virais.
A depressão pode estar associada a várias outras doenças como diabetes, doença cardiovascular, hipertensão, acidente vascular cerebral, doenças neurodegenerativas e pode levar até ao suicídio. Quimicamente a depressão é causada por defeitos nos neurotransmissores responsáveis pela produção de hormônios como a serotonina e a endorfina, os quais trazem conforto, bem-estar e prazer. Quando existe alguma alteração nesses neurotransmissores, o indivíduo passa a apresentar sintomas depressivos.
Os neurotransmissores são substâncias químicas produzidas pelos neurônios e sua função é transmitir uma mensagem. Eles têm papel fundamental no bom funcionamento não só do cérebro, mas também em outros órgãos.
Pessoas com depressão apresentam uma queda nos níveis de serotonina, que é um neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar. Ela é formada a partir de um aminoácido fornecido pela alimentação - o triptofano. No cérebro ela é produzida em pequenas proporções, apenas 2%, o restante da produção ocorre no intestino e nos mastócitos. Há evidências que a síntese de serotonina cerebral pode ser modulada através da alimentação, por uma oferta adequada de macro e micronutrientes, entre eles as proteínas, aminoácidos isolados (principalmente triptofano), carboidratos, vitamina B6,B9, B12 e magnésio.
O triptofano é um aminoácido essencial, que precisamos ingerir através da alimentação. As fontes desse aminoácido são: arroz, amaranto, quinoa, flocos de milho, banana, feijão, lentilha, nozes, abacate, leite. Ele é importante para regular nosso humor, sono, apetite, funções gastrointestinais e hemodinâmicas.
Uma dieta rica em ômega-3 vinda do óleo de peixe de águas profundas e geladas como, atum, salmão, sardinha e a semente de linhaça, pode diminuir a probabilidade de a pessoa ficar depressiva e até mesmo se suicidar. Por isso, a suplementação com ômega-3 tem sido usada cada vez mais em tratamentos de depressão, e o resultado é cada vez mais eficaz.
Outro fator que está ligado ao quadro de depressão é o desequilíbrio intestinal. Isto mesmo, o intestino que não funciona bem interfere na produção correta dos neurotransmissores, que são responsáveis pelo equilíbrio do humor, depressão e, até mesmo, da vontade de comer doDEPRESSÃOces e carboidratos em geral. A produção do neurotransmissor serotonina, responsável pelo bem estar e felicidade tem sua produção em torno de 80% intestinal, desta forma tratar e reequilibrar a flora intestinal é muito importante na depressão, podendo evitar a utilização de antidepressivos quando estiver ainda no início.
Dieta rica em alimentos industrializados (biscoitos, salgadinhos, bolos etc.) pode elevar o risco de depressão. Em um estudo, foram analisadas as dietas de 3,5 mil funcionários públicos britânicos, divididos em dois grupos. Um grupo consumia alimentos integrais, frutas, legumes e peixe. Já o outro grupo consumia, em sua maioria, alimentos industrializados como sobremesas açucaradas, frituras, carnes industrializadas, cereais refinados e laticínios ricos em gordura. Os especialistas concluíram que os pacientes que consumiam mais alimentos integrais apresentam 26% menos risco de desenvolverem a doença, enquanto que o grupo consumidor de produtos industrializados apresentou um aumento de 58% desse risco.
Alguns alimentos já são estudados para o tratamento da depressão - açafrão da terra, alho, cebola, cacau, romã, alecrim e orégano - devem estar presentes diariamente na nossa alimentação. A combinação de uma dieta balanceada, acompanhamento psicológico e a prática de exercícios físicos pode ser a chave para a prevenção e até cura desta doença que atinge tantas pessoas.




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