CARBOIDRATOS X GORDURAS NO EMAGRECIMENTO

Daniela Marques Eckert

Como sabemos a obesidade é uma epidemia e junto a ela temos a presença da síndrome metabólica, caracterizada por aumento de gordura abdominal, níveis altos de triglicerídeos, baixos de colesterol HDL (colesterol bom) e pressão arterial elevada. A gordura abdominal é fortemente associada à resistência à insulina, hiperglicemia e dislipidemia.

O aumento do tecido adiposo é relacionado ao excesso de energia relativa ao pouco gasto, dado justamente por comidas que combinam de forma processada carboidratos e gorduras.

Embora hoje se culpe a gordura ou carboidrato pelo aumento de peso, estudos randomizados têm demonstrado que uma redução tanto de gorduras quanto de carboidratos na dieta, é eficaz na redução de peso corporal e síndrome metabólica em obesos e indivíduos com sobrepeso.

Em um estudo, 46 homens obesos foram divididos em grupos baixo em carboidrato (50g de carbo e 170g de gordura) ou baixo em gorduras (275g carbo e 70g gordura) durante 12 semanas, com a mesma quantidade de calorias (2090) e proteínas (90g). No grupo baixo carbo, 34% das calorias era gordura saturada e no grupo alto carbo, 12%. Ambos grupos foram instruídos a evitar gordura vegetal hidrogenada, açúcar e óleos ricos em ômega-6, além de consumirem mais vegetais e frutas. No grupo de mais carboidratos havia sucos para facilitar o alcance das calorias devido ao excesso de vegetais.

Para facilitar a adesão, foi dado um guia instruções sobre as preparações das refeições, além de alguns alimentos entregues diretamente aos participantes. Não houve diferença significativa no nível de atividade física entre os grupos, tanto antes quanto depois, assim como o consumo de calorias entre eles antes do estudo.

O número de participantes que concluiu o estudo foi de 38. O IMC reduziu cerca de 3,6 pontos em todos os participantes. A massa magra reduziu 2 a 3%, a massa gorda reduziu de 26 a 30%, assim como a gordura visceral. Já a circunferência da cintura reduziu 10% em média. Não houve diferença entre os grupos. A glicose em jejum reduziu em ambos, porém o grupo baixo em carboidrato foi mais eficaz nesse aspecto. Já a insulina, peptídeo C, hemoglobina glicada, Homa IR (todos ajudam a avaliar relação de glicose e insulina) diminuíram igualmente nos grupos. Triglicerídeos, pressão arterial e glucagon também.

  A dieta mais baixa em carboidrato não diminuiu LDL (colesterol ruim), diferente da mais rica que aumentou HDL. Os dados de aumento de gordura saturada batem com os de outros estudos, onde o aumento de suas quantidades não elevou riscos para gordura no fígado ou doenças cardiovasculares, apesar do aumento de LDL. No entanto, o consumo de gorduras poli-insaturadas é ligado a diminuição de riscos metabólicos e inflamatórias. O aumento de LDL junto ao aumento de HDL também não reflete maior risco cardiovascular, considerando que a gordura abdominal foi reduzida.

Em resumo, no que tange a perda de peso, os resultados foram os mesmos, mostrando que uma dieta com mais qualidade alimentar e leve restrição calórica é eficaz na diminuição de gordura junto a marcadores sistêmicos de riscos para síndrome metabólica, independente se é mais rica em carboidratos ou gorduras.





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