Chá verde: o chá milenar aliado à saúde

Daniela Marques Eckert


Desde a pré-história, as plantas têm sido utilizadas como produtos terapêuti-cos. Em todo o mundo, mi-lhares de produtos de ori-gem vegetal são utilizados nas mais variadas formas: cataplasmas, infusão, ma-cerado filtrado, tinturas, pomadas, xarope, cápsulas e na sua forma in natura. O chá é utilizado por infusão que é a forma mais popu-lar dos diferentes produ-tos de origem vegetais. Os chás são ricos em compos-tos biologicamente ativos (flavonóides, catequinas, polifenóis, alcalóides, vita-minas e sais minerais) que contribuem para a preven-ção e o tratamento de vá-rias doenças. 
O chá produzido a par-tir das folhas da planta Ca-mellia sinensis é, depois da água, a bebida não alcoóli-ca mais consumida no mun-do. Durante séculos, o chá tem sido considerado pelos orientais como uma bebida saudável, sendo utilizado na China há aproximadamente 3.000 anos, sendo este pa-ís o seu principal produtor.

Os chás de Camellia sinensis podem ser classifica-dos em três tipos básicos: preto, verde e oolong, dife-renciando-se pelo beneficia-mento das folhas. Para o pre-paro do chá preto, as folhas são fermentadas. Para o pre-paro do chá verde, as folhas são apenas escaldadas e fer-vidas para garantir a preser-vação da cor. Os chás oolong encaixam-se numa catego-ria intermediária: passam por um processo de fermentação mais brando e, por isso, têm aroma menos acentuado do que os pretos. Dos três tipos de chás, o chá verde é o mais rico em compostos com ativi-dades funcionais. 
A composição química do chá verde inclui diversas clas-ses de compostos fenólicos ou flavonóides, tais como flavonóis e ácidos fenólicos, além de cafeína, pigmentos, carboidratos, aminoácidos e certos micronutrientes como as vitaminas B, E, C e mine-rais como o cálcio, magnésio, zinco, potássio e ferro. 
Vários estudos têm de-monstrado que o chá verde, obtido através das folhas da erva Camellia sinensis, tem uma alta quantidade de flavo-nóides conhecidos como cate-quinas, capazes de promover a diminuição de peso corpo-ral, gordura corporal e auxi-liar na prevenção e tratamen-to da obesidade e de doenças associadas como diabetes, cardiovasculares e dislipide-mias. Também possui efeitos antioxidantes, anticarcinogê-nicos (câncer de pele, mama, próstata, estômago e intesti-no), antiinflamatórios (como no caso da artrite), antiate-rogênicos, além de ativida-des antibacterianas e antivirais, os quais se re-fletem diretamen-te na prevenção e tratamento de vá-rias doenças.

Uma bebida típica preparada como infusão em água quente por 3 minu-tos de 1 g de erva para 100 ml de água, contém geral-mente entre 250-350 mg de sólidos solúveis do chá, sendo 30-42% do peso em catequi-nas e 3-6% em cafeína.
Estudos recentes produzi-ram resultados que afastaram muitos mitos e também con-firmaram alguns benefícios importantes para a saúde, em relação ao seu consumo regular, demonstrando que o chá verde tem propriedades funcionais e que, quando in-cluído na alimentação diária, pode trazer benefícios fisioló-gicos específicos, devido aos seus componentes. O consu-mo de catequinas em quan-tidades equivalentes a 4 a 6 xícaras por dia apresenta efei-to hipolipidêmico, antioxidan-te e possivelmente fibrinolíti-co e deste modo, produzem mecanismo pelo qual se explicam os benefícios do chá para as doenças cardíacas. O extrato do chá verde, for-necido oralmente ou aplicado sobre a pele, inibe a formação de tumores de pele induzidos por carcinógenos químicos ou pela radiação ultravioleta B (UVB). 
Tomar chá verde em ex-cesso pode provocar toxicida-de hepática, gastrite, úlcera gástrica com sangramento, insônia, irritabilidade, hiper-tensão arterial e dores de ca-beça. A American Dietetic As-sociation sugere o consumo de 4-6 xícaras de chá verde ao dia, a fim de obter os efei-tos benéficos do chá verde à saúde, como na prevenção de certos tipos de câncer. A for-ma de preparo também deve ser considerada, devendo-se esquentar a água até pouco antes da ebulição (80 a 85°) e despejá-la nas folhas de chá bem devagar e do alto, que ajuda na redução do processo oxidativo. A infu-são deverá ficar abafada por um período de 2-3 mi-nutos. O armazenamento por longo tempo também não é recomendado, pois ocorre perda dos compos-tos fenólicos. A proporção de água e ervas deve ser a seguinte: para cada litro de água, duas colheres de erva seca. Outra sugestão é que deve ser consumido entre as refeições para não interferir na biodisponibili-dade de nutrientes prove-nientes das grandes refei-ções. Para as pessoas que gostam de variar o sabor, uma dica é misturar o chá verde com sucos de frutas, como pêssego, abacaxi, manga ou limão.




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