Obesidade infantil: um dos problemas de saúde pública mais graves do século

Nutricionista Daniela Marques Eckert

Segundo dados da Federação Mundial da Obesidade, mais de 42 milhões de crianças menores de cinco anos estão acima do peso no mundo, e 92 milhões correm risco de sobrepeso e obesidade. Se não tratada, a obesidade infantil pode levar a graves prejuízos na saúde, como o desenvolvimento de diabetes, hipertensão arterial, doença renal, dislipidemias (alterações das gorduras no sangue) e câncer.
Sabe-se que filhos de pais obesos têm 80% de possibilidade de se tornarem obesos. Se apenas um genitor é obeso, esse risco cai para 50%. Se pai e mãe apresentam peso adequado, ele é de apenas 7%. Adolescentes obesos têm uma probabilidade 70% maior de permanecer obesos na vida adulta, contribuindo para o aumento da prevalência das doenças cardiovasculares, que são responsáveis por uma em cada três mortes em todo o mundo. As dislipidemias são consideradas um dos fatores mais importantes no desenvolvimento dessas doenças, e estudos comprovam que a formação de placas de ateromas (placas de gordura que aderem às paredes dos vasos sanguíneos) tem início na infância. O aumento na incidência dessas doenças na faixa etária pediátrica está contribuindo para uma geração com menor expectativa de vida que a de seus pais.
Uma pesquisa publicada pela revista Pediatrics desfaz o mito de que as crianças gordinhas tendem a emagrecer quando crescem e chegam à adolescência. Existe uma ideia entre as famílias de que, ao crescer, a criança tende a emagrecer. Costuma-se dizer que ela vai espichar. Esse pensamento faz com que a avaliação da obesidade fique em segundo plano, o que é um problema.
Crianças não precisam comer nuggets, hambúrgueres, salgadinhos, refrigerantes e biscoitos recheados. Precisam de frutas, legumes e verduras. Esses hábitos alimentares são formados desde a gestação. O feto vai se acostumando com os sabores daquilo que sua mãe come. Esse processo continua durante o aleitamento materno e se consolida até os 2 anos de vida. Esses são períodos determinantes para a prevenção da obesidade na vida adulta.
Manter o peso adequado não é uma questão de regime alimentar, mas de estilo de vida. Além da dieta existem outros hábitos que são importantes, como ser ativo, dormir bem, não comer em frente à TV ou ao computador, ter um lugar adequado para fazer as refeições e fazer as refeições em família. A falta de limites é um problema, mas a falta de exemplo é pior. Os pais querem ver os filhos comendo salada, fazendo esporte, evitando refrigerantes ou doces, mas não fazem o mesmo. Culpar as crianças e os adolescentes não contribui para a perda de peso, a família toda tem de rever seus hábitos.
Segue algumas recomendações para um estilo de vida saudável:
•Reduza o sedentarismo: limite a não mais do que duas horas o tempo que seu filho assiste TV, joga videogame ou navega na internet.
•Ajude seu filho a se manter ativo: recomenda-se que crianças e adolescentes façam ao menos 60 minutos de atividade física moderada diariamente. Inclua uma atividade física em sua rotina e convide seu filho a lhe acompanhar.
•Incentive uma alimentação balanceada: comer de forma saudável não tem mistério, nem exige sacrifícios. Ofereça variedade de verduras, legumes, frutas e grãos integrais. Prefira carnes magras. Sirva porções de tamanho razoável. Incentive o consumo de água e limite as bebidas açucaradas (refrigerantes e sucos de pacote). Evite doces e alimentos ricos em gorduras saturadas.




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