Cuide bem do que te mantém respirando

Guilherme Detoni, jornal Imprensa do Povo
Foto: Doutora Karize Aimi. Foto: Divulgação/arquivo pessoal

Nos últimos dias, doenças respiratórias têm se alastrado pela comunidade. Um dos problemas mais comuns registrados, foi a pneumonia, que é uma doença infecciosa pulmonar grave que pode ser fatal. É mais comum em pessoas com mais de 65 anos, podendo ocorrer em qualquer época do ano. Ela é causada por bactérias e é transmitida através da tosse e espirros.

"É uma doença comum que afeta milhões de pessoas. Na pneumonia ocorre uma infecção aguda do pulmão (pode ser uni ou bilateral) e pode levar a insuficiência respiratória. É a maior causa infecciosa de mortes de adultos e crianças no mundo", disse a doutora de Pinhalzinho, Karize Aimi.

Segundo a doutora, a pneumonia ocorre pelo contato com micro organismos infecciosos (vírus, bactérias ou fungos) ou pela inalação de produtos tóxicos.

"Pode ser adquirida pelo ar, saliva, secreções ou no caso do inverno, devido a mudanças bruscas de temperatura. Os alvéolos e bronquíolos terminais inflamam, ficando inchados e preenchidos com fluido, impedindo o correto funcionamento dos pulmões. Quanto mais alvéolos acometidos pela pneumonia, mais grave é o quadro. O paciente com pneumonia extensa pode apresentar insuficiência respiratória, precisando ser intubado e acoplado a um respirador artificial para conseguir manter o sangue adequadamente oxigenado", explicou.

Karize frisou que o desenvolvimento da pneumonia depende da virulência do invasor, da quantidade de micróbios que conseguem chegar aos pulmões e das condições imunológicas do paciente. "Em geral, uma pneumonia surge quando um germe agressivo consegue penetrar o trato respiratório e encontra o sistema de defesa comprometido".

A doutora ressaltou que existem diferentes fatores que favorecem o surgimento da doença, e listou alguns deles.

Fatores que favorecem o surgimento da doença:

? Idade maior que 65 anos;

? Mudanças bruscas de temperatura;

? Gripes e resfriados mal cuidados;

? Tabagismo: provoca reação inflamatória que facilita a penetração de agentes infecciosos;

? Álcool: interfere no sistema imunológico e na capacidade de defesa do aparelho respiratório;

? Ar-condicionado: deixa o ar muito seco, facilitando a infecção por vírus e bactérias;

? Doenças imunossupressoras (HIV, transplante, câncer);

? DPOC (bronquite crônica e enfisema pulmonar);

? Usuários de drogas;

? Doentes acamados;

? Hospitalizações prolongadas;

? Pacientes em ventilação mecânica (em uso de respirador artificial);

? Pacientes com outra doença pulmonar prévia (sequelas de tuberculose, bronquiectasias, fibrose cística, etc).

Como a pneumonia é diagnosticada?

Segundo Karize Aimi, a doença pode ser detectada através de sinais e/ou sintomas que a pessoa pode apresentar. "Febre alta (acima de 37,5° C), dor no tórax, tosse, mal-estar, falta de ar ou dificuldade respiratória, confusão mental, fraqueza, secreção de muco purulento de cor amarelada ou esverdeada, prostração (fraqueza), suores intensos (principalmente à noite), náuseas e vômito, respiração acelerada, respiração ruidosa, perda de apetite e recusa alimentar", alertou.

Muitas vezes, no entanto, crianças podem apresentar os sintomas isoladamente, como apenas febre e tosse ou apenas dificuldade e aceleração da respiração. "Em idosos, é comum o desenvolvimento de sintomas comportamentais como confusão mental, perda de memória e desorientação em relação ao tempo e espaço", disse.

Karize esclareceu que o diagnóstico da pneumonia é feito normalmente com exame físico e uma radiografia de tórax.

"Análises de sangue podem ajudar, mas não são imprescindíveis. Um bom médico é capaz de diagnosticar uma pneumonia apenas com a história clínica e o exame físico. A radiografia, por ser um exame barato e amplamente disponível, é normalmente solicitada para confirmação do diagnóstico.

Riscos da doença

As consequências de uma pneumonia, segundo a doutora Karize, dependem muito da idade da pessoa acometida, do tipo de pneumonia e do estado geral de saúde anterior. "As pessoas com doença cardíaca ou pulmonar previas tem mais risco de complicações. As pneumonias podem gerar complicações inerentes à propagação da infeção, como sepse, abcesso pulmonar, empiema (pus na cavidade torácica) ou devido ao processo de cicatrização/inflamação crônica (bronquiectasias, fibrose), podendo provocar, desta forma, lesões irreversíveis.

De acordo com a doutora, a complicação mais comum é o derrame pleural (acumulo de liquido entre as membranas que recobrem os pulmões).

"A bacteremia é uma complicação grave que ocorre quando as bactérias alcançam a corrente sanguínea e se espalham por todo organismo, podendo levar à morte", explicou.

Como a pneumonia é tratada?

"Como é uma doença que pode ser causada por múltiplos fatores, cada caso é um caso", esclareceu.

Karize disse que o tratamento, muitas vezes é feito por meio de antibióticos e medicamentos que impedem a evolução do vírus e das bactérias que causam a infecção pulmonar.

"As pneumonias são divididas em comunitárias, quando adquiridas no dia-a-dia, e hospitalares, quando surgem em pacientes hospitalizados. A pneumonia hospitalar é mais grave e mais difícil de tratar, pois é normalmente causada por bactérias mais resistentes e acomete pacientes mais fragilizados", explica.

Aimi ressaiu que o tratamento das pneumonias bacterianas é feito com antibióticos por no mínimo oito dias. As comunitárias podem ser tratadas com antibióticos orais, porém, aquelas que evoluem mal, necessitam de internação hospitalar e antibióticos venosos", afirmou.

Como prevenir?



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