Os cuidados com a gravidez

Guilherme Detoni, Imprensa do Povo
Foto: arquivo pessoal
Psicóloga Keity Santoro

A gravidez é um momento onde a mãe e o bebê estão crescendo e mudando rapidamente. Os cuidados durante esse período, garantem um resultado saudável tanto para a mãe, quanto para a criança. Especialistas dizem que é primordial para a mulher seguir algumas orientações e realizar exames regulares para garantir que a sua saúde esteja normal e que o bebê esteja se desenvolvendo adequadamente.

Segundo a psicóloga do CAPS de Pinhalzinho Keity Santoro, a partir do momento em que a mulher descobre a gravidez, uma série de sentimentos e emoções toma conta de seus pensamentos. "Por mais que a gravidez tenha sido planejada, no momento da descoberta gestacional pode ocorrer questionamentos do tipo "será que era a hora certa de engravidar?", "será que estamos preparados?", entre outras indagações. Preparados nunca estaremos, pois cada gestação é única, cada mulher/gestante vive sentimentos muitas vezes diferentes de outras. Buscar ter uma estabilidade emocional é o ponto chave para uma gestação tranquila. Quando se deseja engravidar, se vive uma espera gostosa, todavia, quando é algo inesperado, poder ser um susto, e muitas vezes pode gerar vários sentimentos negativos, como negação e a não aceitação. Esse sentimento pode ser mais comum na adolescência, porque muitas vezes interrompe momentaneamente sonhos e metas pensadas, fazendo com que o adolescente assuma várias responsabilidades naquele momento, deixando de viver a fase da adolescência com seus encantos e momentos de curtição", disse a psicóloga.

Keity explicou que durante o período gestacional, a mulher costuma ter uma série de sentimentos que podem abalá-la se não forem cuidados. "Alegria, satisfação, medo, insegurança, ansiedade, dúvidas, incerteza. Tudo ao mesmo tempo e em alta dosagem. Além disso, a transformação da filha em mãe, as mudanças corporais e a relação entre sexualidade e maternidade exigem da mulher uma nova forma de reorganização emocional que pode, muitas vezes, gerar angústias e dificuldades. Se caso não acompanhadas e tratadas, pode resultar em uma depressão pós parto", alertou.

Como esses problemas surgem?

A psicóloga disse que essas alterações emocionais são bem relativas de gestante para gestante. "Algumas percebem algumas mudanças de humor e irritabilidade antes mesmo de ter o teste positivo da gestação. Muitas mulheres tendem a ficar bem chorosas e sensíveis, com a possibilidade desses sentimentos e emoções diminuírem até cessar durante a gravidez. A tendência é de que esses sentimentos diminuam com o tempo, todavia, para algumas gestantes, esses sentimentos perduram por muitas semanas".

Familiares e amigos são importantíssimos nesse período

Keity ressaltou que é muito importante que se tenha uma rede de apoio na gestação. "São várias as mudanças físicas e emocionais que ocorrem e, quando se tem alguém com quem contar, dividir e ter suporte, facilita muito esse processo. Quanto mais a gestante se sentir amparada e segura, melhor. Nos momentos de dúvida é importante que ela seja acolhida e encorajada diante do novo papel. Também é válido que a gestante evite guardar as dúvidas e os receios só para si. Conversar com o parceiro e com o futuro papai, ou com as amigas e com outras mamães pode ajudar. É importante destacar a importância do papai na gestação e após o nascimento, pois ele tem muito a contribuir com o cuidado da criança. Caso necessário, é importante que a gestante peça ajuda profissional, durante esse período de gestar e no puerpério (40 dias após o nascimento do bebê). Um obstetra de confiança e um psicólogo podem auxiliar a futura mamãe a vivenciar sua gestação de maneira mais tranquila e se tornar mais confiante em frente aos desafios da maternidade", argumentou.

O que é puerpério e o que é importante nessa fase?

Keity explicou que puerpério é o período que ocorre durante o pós-parto, portanto são todas as transformações emocionais e corporais enfrentadas pela mulher no decorrer dessa fase da vida. "Muita coisa muda nessa fase: o corpo modifica, os hormônios se alteram, as necessidades passam a ser outras e o ambiente deixa de ser o mesmo, uma vez que há um bebê na vida dessa nova família. A mulher não está mais sozinha, ela e o companheiro tem um serzinho que depende exclusivamente deles, mas, principalmente da mamãe".

A psicóloga ainda destacou a importância de viver os momentos. "Cada momento é único: a descoberta da gestação, a dúvida se é menina ou menino, os chutes na barriga, a escolha do parto, o nascimento, a amamentação. É importante eliminar a autocobrança, ou seja, evitar tentar ser a mãe perfeita e realizar todas as responsabilidades. Gestação não é doença, mas requer cuidados sim, então não se cobre tanto", completou.

Vale destacar que o número de mães com esse problema de depressão pós parto aumentou ao longo dos anos. Segundo um estudo publicado na revista científica BMC Research Notes, uma em cada cinco mulheres, das 670 entrevistadas apresentaram sintomas depressivos graves no início de 2020. Segundo informações, antes do período de pandemia, uma a cada oito mulheres apresentavam o problema, sendo que cerca de 5% a 7% exibiam um quadro depressivo mais grave.



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