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Primeira parada LGBTQIA+ aconteceu em Pinhalzinho
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Guilherme Detoni, Jornal Imprensa do Povo -
Uma das motivações foi o caso do 'Muro do Amor'
No sábado (16), a primeira parada LGBTQIA+ aconteceu nas dependências da praça central do município de Pinhalzinho. O evento que se iniciou por volta das 15 horas, contou com expressiva participação e várias apresentações e atrações artísticas.
O LGBTQIA+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgênero, Queer, Intersexo, Assexual) é um movimento político e social que defende a diversidade e busca representatividade e direitos. A sigla demonstra a luta pela igualdade e respeito à diversidade.
O movimento busca defender a aceitação das pessoas que se sentem representadas pelos termos na sociedade, lutando pelo respeito e igualdade social. O LGBTQIA+ sempre está lutando contra o ódio e preconceito, agindo em busca da igualdade, seja por meio da conscientização das pessoas contra a bifobia, homofobia, lesbofobia e transfobia, ou pelo aumento da representatividade das pessoas que integram o movimento.
O movimento social é composto por uma ampla rede de ativismo político, incluindo marchas nas ruas e grupos atuantes na mídia. Apesar da necessidade de abordar o assunto, em mais de 70 países, ser uma pessoa LGBTQIA+ é considerado crime, e desses países, 13 punem com pena de morte.
Segundo a presidente da União Nacional LGBT (UNA) de Chapecó Carol Listone, Pinhalzinho sempre participou das ações feitas no município de Chapecó. "A nossa entidade de lá realiza paradas há cinco anos, e Pinhalzinho sempre esteve presente. Sempre com a presença da Letícia Kappaun (Leeh), que era uma amiga íntima minha e hoje não está mais aqui conosco", disse.
Carol destacou que a presença LGBTQIA+ em Pinhalzinho foi para pedir respeito e mostrar que as cores do movimento não são violência. "As cores falam sobre amor, dignidade, sobre a vida e sobre alegria. É isso que a gente leva. Não somos menos que ninguém. Temos famílias, mães, pais e filhos e queremos falar sobre existir, viver e amar", argumentou.
Conforme Carol, a União Nacional LGBT (UNA) surgiu em 2015 no Brasil e em Chapecó, chegou em 2016. "Ela tem por objetivo abordar a emancipação política das pessoas LGBT, principalmente no direito da cidade e no acesso às políticas públicas. Lutamos por isso! E quando nos tiram algum direito, lutamos por eles. No Brasil, temos 27 direitos a menos do que a população hetero. Por exemplo, há um tempo atrás não podíamos casar, e foi uma conquista da UNA o casamento civil. Lutamos e nos manifestamos também quando fazem ações agressivas contra nós, como foi o ato de tentar invisibilizar nosso muro. É só um muro, mas sabemos que é também o apagamento de uma luta", finalizou.
No último mês, um muro foi pintado com as cores do arco íris em Pinhalzinho, defendendo a diversidade e representatividade das pessoas. Devido a algumas recomendações, o Léo Ômega, autor do "Muro do Amor" foi solicitado para repintar o muro de cinza entre a avenida São Paulo e a rua São Luíz. Nesse contexto, o ocorrido foi um dos motivos que levou o movimento a chegar no município, segundo organizadores do evento.
A participante do Pinhalzinho, Karolina Neu disse que a primeira parada do município é um dia histórico para a cidade. "É um marco muito importante para nossa sociedade e principalmente para Pinhalzinho, pois hoje podemos falar que a gente existe e está aqui presente. Muitos não poderão vir, mas estamos aqui por aqueles que não podem estar aqui. Estamos lutando pelo nosso amor e pela liberdade de amar quem a gente quiser", argumentou.
Karolina disse que Leeh Kappaun foi uma militante muito importante para a cidade. "Ela que tomava as iniciativas para irmos às paradas LGBTs de Chapecó. Como ela é natural de Pinhalzinho, pensamos no mesmo momento em homenageá-la como o nome do evento".
A irmã da jovem, Taís Kappaun disse que Letícia sempre lutou por causas e acreditava muito na luta por direitos iguais.
"Desde sempre a gente soube da sexualidade dela e sempre respeitamos e apoiamos. Ela sofreu muito com o preconceito, eu por muitas vezes engoli o choro na frente dela quando ela compartilhava algo comigo. Teve um dia que ela estava mega feliz, porque ia fazer um teste para cortar cabelo, ela amava fazer isso e era espetacular e criativa. Após o teste, que aconteceu no ano passado, o rapaz que avaliou seu trabalho preferiu um outro menino só por ela não ser o que ele queria, sabendo que a capacidade dela era a mesma do que o outro, até com mais experiência", contou.
Taís disse que muitas situações como essas aconteceram. "A gente só sente e entende quando é alguém da nossa família que passa, até porque julgar os outros sempre é mais fácil. Hoje estamos no século XXI e ainda assim existem muitas pessoas que não conseguem olhar para dentro e aceitar o ser humano como ele é, entendendo que todos somos iguais e temos os mesmo direitos e deveres. Meu pai levou muitas vezes a Leeh nos movimentos, porque era algo que fazia ela muito feliz. Teve momentos em que ela foi para cidades maiores atrás de novas oportunidades, devido ao preconceito da nossa cidade. Ela sempre foi muito amorosa, destemida e corajosa. Já eu era o oposto dela, mas era isso que nos unia. Ela lutava muito por tudo que acreditava, tinha uma alma livre e desprendida. Ela nunca se prendeu em bens materiais e sim sobre o amor e o respeito. Falar dela dói muito, porque é uma saudade sem fim. Todos os dias lembro dela. A gente nunca está preparado pra perder alguém que amamos. Nesse sábado eu estava muito feliz porque estávamos juntos lutando por algo que ela queria e acreditava muito. Eu me sinto muito grata e honrada por representar ela na primeira parada LGBTQIA+ da cidade em que ela cresceu. Ela só queria um mundo de mais amor e respeito. Cada um sabe das suas dores e batalhas, hoje ela partiu, mas deixou um legado muito bonito. A única coisa que eu desejo hoje é que ela esteja bem, feliz e em paz! E enquanto eu estiver nesse plano, estarei lutando pelo que ela acreditava e sonhava", completou.
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