Primeiro dia do Júri da cartomante encerra com oitiva de nove testemunhas no Oeste de SC

No retorno das atividades na manhã desta quarta-feira (11), serão realizados os interrogatórios dos réus

ND+/Redação ND, Florianópolis
Foto: Pixabay

O primeiro dia de julgamento da cartomante e do marido, acusados de ajudar na tentativa de matar uma empresária em Chapecó, no Oeste Catarinense, em junho de 2019, terminou pouco após, às 21h, desta terça-feira (10). A sessão presidida pelo magistrado André Milani terá sequência nesta quarta (11). No primeiro dia, nove testemunhas prestaram depoimento, entre elas, a vítima da tentativa de homicídio.

O casal é julgado pelo Conselho de Sentença pela tentativa de homicídio qualificada. Isso porque o crime foi cometido mediante pagamento ou promessa de recompensa e pelo emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. A cartomante ainda responde por ter constrangido uma mulher a efetuar pagamento de valores, mediante grave ameaça de morte contra ela e o neto.

O depoimento da primeira testemunha levou três horas. Na sequência, depois do intervalo para almoço, foram ouvidas outras oito testemunhas, dentre elas, a própria vítima. Duas testemunhas foram dispensadas. E, dessa forma, se encerrou o primeiro dia do Júri do casal réu.

Para manter a incomunicabilidade necessária dos jurados, eles foram escoltados até o hotel onde passarão à noite sem acesso aos celulares particulares, nem ao telefone do quarto.

No retorno das atividades na manhã desta quarta-feira (11), serão realizados os interrogatórios dos réus. Em seguida, o promotor de justiça iniciará os debates apresentando a tese de acusação. O representante do Ministério Público terá três horas para suas argumentações, mesmo tempo que os advogados de defesa terão na sequência. Não há previsão para o término do julgamento.

Saiba mais

Este é o segundo júri relativo ao caso. O paraguaio, autor dos disparos, foi julgado em 25 de novembro do ano passado. Ele foi condenado a 15 anos e oito meses de prisão, em regime fechado, por tentativa de homicídio qualificado por crime cometido mediante promessa de recompensa e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. A sentença também inclui as penalidades por porte ilegal de arma de fogo com numeração raspada e uso de documento falso.

A acusada de encomendar o crime aguarda julgamento de recurso para, depois, ser submetida ao tribunal do júri. De acordo com a denúncia, essa mulher procurou a cartomante em busca de reconciliação com o ex-marido, que se encontrava em novo relacionamento. Como o feitiço - que custou cerca de R$ 300 mil - não deu certo, a cartomante propôs o homicídio da atual companheira do homem.

Um matador de aluguel foi contratado, pelo marido da cartomante, para executar o crime e recebeu a orientação de simular um latrocínio (roubo seguido de morte). Dos R$ 35 mil prometidos, R$ 15 mil foram pagos antecipadamente.

Na tarde de 3 de junho de 2019, três disparos atingiram a cabeça da empresária, socorrida a tempo de se recuperar. O paraguaio fugiu em uma motocicleta e foi preso minutos depois. Ainda segundo a denúncia apresentada, a cartomante, então, exigiu mais dinheiro da mulher, a fim de sair da cidade com o marido. Sob ameaça de morte contra ela e o neto, a mulher entregou cheques no total de R$ 800 mil, dos quais R$ 90 mil foram compensados.





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