Profissionais de saúde do HU/UFSC entram em greve por tempo indeterminado
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Pixabay - Ilustrativa
Ofício enviado aos secretários de Saúde municipal e estadual comunicou paralisação
Funcionários do HU (Hospital Universitário) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) entraram em greve nesta segunda-feira (26). A paralisação foi feita por colaboradores da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), que presta serviços no local.
O aviso foi enviado por meio de um ofício para os secretários municipal e estadual de Saúde. Segundo o documento, não há previsão de retorno.
Apesar da paralisação, o documento explica que os atendimentos eletivos já agendados e que porventura sejam suspensos serão reagendados. O hospital também se compromete a fazer "todos os esforços para a manutenção dos atendimentos de forma a não prejudicar a assistência ao paciente".
No entanto, haverá planejamento diário das atividades, de forma que os procedimentos, especialmente os cirúrgicos mais urgentes e pacientes críticos sejam priorizados.
O secretário de saúde de Florianópolis, Carlos Alberto Justo da Silva, para quem o documento também foi endereçado, disse que espera que a situação se resolva logo.
"Esperamos que isso se resolva logo já que a falta de leitos e as emergências de adultos, pediatria e maternidade irão piorar a atual situação dos atendimentos na cidade", explicou.
Já a SES (Secretaria de Estado da Saúde) explicou que foi informada, no final da tarde de segunda-feira, do movimento de greve geral desencadeado no Hospital Universitário, de gestão do governo federal. Informou, ainda, que vê com preocupação a possível falta de assistência prestada pela unidade.
A SES informou também que ficou de preparar os hospitais da região da Grande Florianópolis para absorver a demanda que, porventura, possa ser provocada em razão da paralisação.
Ao ND+, o hospital não informou quantas pessoas estão em greve, mas disse que a unidade "está com todos os seus serviços em pleno funcionamento, com adaptações pontuais quando o caso assim exige".
Péssimas condições de trabalho
Em depoimentos ao ND+, uma profissional de saúde, que pediu para não ser identificada, disse que os colegas relatam dia após dia a exaustão com o trabalho no HU.
"A situação está difícil. Muitos colegas pediram exoneração pelas péssimas condições de trabalho e pela baixa remuneração. O salário não está bom. Por que a pessoa vai ficar aqui ganhando mal?", indagou.
Outros profissionais de saúde que também atuam no HU relatam que a pressão diária no trabalho com demandas altas de atendimento e os baixos salários foram os geradores da paralisação.
O que diz a empresa
Em nota enviada à UFSC, a Ebserh, que presta os serviços no local, explicou como estava funcionando o atendimento. Confira a nota na íntegra:
A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) informa aos empregados que a relatora do dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST),ministra Delaíde Alves Miranda Arantes, determinou o percentual mínimo de manutenção de trabalhadores, em seus respectivos locais de trabalho, na base de 50% (cinquenta por cento) em cada área administrativa e de 60% (sessenta por cento) para cada área médica e assistencial, sob pena de multa diária de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), em caso de descumprimento.
É importante acrescentar que, com o início das manifestações, fica ainda mais clara a vontade dos empregados, semelhante à da Ebserh, em uma resolução rápida para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Diante do impasse nas negociações, a Ebserh peticionou no dia 10 de agosto, no próprio TST, pedido para análise dos ACT's em curso, requerendo o julgamento imediato do dissídio coletivo, inclusive quanto aos ACTs em aberto.
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