Só 5% das vítimas com mais de 50 anos da Covid-19 tomaram dose de reforço da vacina

'Tem vacina alcançando o prazo de validade porque não há procura como no início da campanha', aponta o superintendente de Vigilância em Saúde

Por ND+/Redação ND, Florianópolis
Foto: Pixabay

No mês de julho deste ano, 189 pessoas morreram vítimas da Covid-19 em Santa Catarina. Segundo a Superintendência de Vigilância em Saúde, pessoas com mais de 50 anos representam 93% das mortes.

O órgão atribui o dado à queda na vacinação contra a doença. Somente 5% das vítimas nessa faixa etária tomaram a segunda dose de reforço (quarta dose) do imunizante.

De acordo com Eduardo Macário, superintendente de Vigilância em Saúde do Estado, a cobertura vacinal de pessoas acima dos 50 anos com o esquema primário completo, isto é, com duas doses ou a única, alcançou 99,3%.

Considerando a primeira dose de reforço, o número de vacinados cai para 70,2%. O cenário piora quando se trata da segunda dose de reforço cuja aplicação foi feita em somente 27,2% da população acima dos 50 anos.

"As pessoas deveriam continuar tomando as doses de reforço para se protegerem, para manterem o nível de imunidade elevada. Infelizmente, isso não está acontecendo. A consequência disso é a concentração dos óbitos por Covid-19 em pessoas acima dos 50 anos", aponta Macário.

O superintendente reforça que as vacinas seguem disponíveis nos postos de vacinação. "Tem vacina até alcançando o prazo de validade porque não há procura como houve no início da campanha de vacinação", diz.

Razões para baixa adesão

O superintendente avalia que existe uma percepção entre as pessoas de que a pandemia chegou ao fim. No entanto, ele ressalta que a pandemia continua sendo um problema de saúde pública.

"As pessoas acham que não é mais preciso se vacinar e, principalmente, receber as doses de reforço", diz.

Macário considera ainda que a baixa adesão está relacionada à rotina atribulada das pessoas. Além disso, os locais de vacinação também estão mais restritos aos postos de saúde. "Antigamente, tínhamos os drive-thrus e pontos de vacinação em vários locais", lembra.

A circulação de notícias falsas é outro ponto levantado pelo superintendente para o "receio" da população em se vacinar.

"Grupos contrários à vacinação colocam medo nas pessoas por conta de possíveis reações e sobrecargas no sistema imunológico. E é justamente o contrário. As doses de reforços atuam como 'boosters', ou seja, aceleram o sistema imunológico para que continue produzindo anticorpos contra a Covid-19", explica Macário.


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