O que acontece com o mundo quando descobrimos que precisamos ser o porto seguro de alguém? Já parou para pensar em como a nossa visão sobre quem nos protege vai se transformando ao longo dos anos?
Existe uma velha sabedoria popular que traduz essa travessia de forma certeira:
"Aos sete anos, pensa-se que o pai sabe tudo; aos catorze, que sabe um pouco; aos vinte e um, que não sabe nada; e, aos trinta e cinco, volta-se a perguntar ao pai".
Essa passagem do tempo revela muito mais do que o crescimento dos filhos; ela mostra o ciclo contínuo em que o pai acompanha, orienta, erra e aprende junto.
Celebrar o Dia dos Pais é parar para olhar de verdade para essa jornada que mistura frio na barriga, noites mal dormidas e um amor que transborda o peito, provando que ser pai é ser abrigo, mesmo quando a gente mesmo está procurando um lugar para se segurar.
A força silenciosa de quem reconstrói o lar após uma grande perda
A história de Kioma Werner mostra como a paternidade pode ser colocada à prova da forma mais dura possível.
Em outubro de 2024, o nascimento do segundo filho deveria ser o momento mais feliz de sua família. No entanto, uma complicação rara e inesperada no parto, o acretismo placentário, tirou a vida de sua esposa, Cintia Muller. O que era para ser um recomeço transformou-se em uma luta dolorosa pela sobrevivência e, depois, na missão de criar os filhos sozinhos.
A ausência de uma estrutura imediata de UTI no hospital e a demora no transporte de sangue tornaram tudo ainda mais doloroso. Com o filho mais velho, Brayan, então com três anos, perguntando pela mãe e sentindo saudades, a rotina precisou ser totalmente reinventada.
"Com o tempo, a gente consegue ver que tem uma força que não seria possível identificar através do que aconteceu. E a gente ganha força para seguir em frente através de cada abraço que a gente ganha dos filhos, sorriso, é o que motiva para a gente seguir em frente, é o que dá força."
Para conseguir ficar mais tempo com as crianças, Kioma mudou sua rotina profissional, saindo do turno de madrugada para o horário comercial, e contou com o apoio essencial dos avós, que ajudam diariamente com os pequenos nas tarefas cotidianas.
A família precisou buscar auxílio psicológico para lidar com o impacto da perda, mostrando que reconhecer a própria fragilidade é o primeiro passo para encontrar estabilidade.
A superação diária não apaga a dor e nem a saudade que aparece quando o pequeno Brayan pede para dar um abraço. Mesmo diante de cicatrizes que o tempo ainda está ajudando a fechar, Kioma enxerga na convivência com os filhos a verdadeira razão de tudo:
"A gente sempre queria ter filho, né? Então, é um amor que não tem explicação. Ser pai é maravilhoso, poder ver eles crescendo, brincando, se divertindo, abraçando, beijando, é inexplicável."
A alegria de um novo começo nos braços da pequena Maitê
Do outro lado, a experiência de Felipe Eduardo Zamboni com a chegada da filha, Maitê Eduarda, em maio de 2026, traz a leveza e a emoção de quem está vivendo tudo pela primeira vez.
Acompanhar cada consulta e estar junto da esposa, Raquel, fez parte de um sonho construído a dois, onde cada fase da gestação foi vivida com intensa admiração pela força e coragem da parceira.
Quando a bebê nasceu, bem na época do Dia das Mães, a casa inteira se transformou com a nova dinâmica. Mesmo com toda a preparação prévia, os primeiros dias trouxeram aquela adaptação maluca de horários e a missão principal de dar suporte integral à mãe que se recupera do parto.
"Ser pai tem sido a maior realização da minha vida. É uma experiência que transforma a forma de enxergar o mundo. O que mais me surpreende é como um gesto simples, um sorriso ou um olhar da minha filha é capaz de mudar completamente o meu dia."
Contando com a facilidade de morar pertinho do trabalho e de ter emendado a licença com as férias, Felipe consegue estar presente para ajudar em casa, trocar fraldas e participar ativamente de cada detalhe do crescimento da menina, fato relatado pelo pai como algo diário, que surpreende e o faz se apaixonar cada dia mais pela vida.
Para Felipe, exercer a paternidade hoje vai muito além de prover o sustento, significando estar presente de verdade nas pequenas coisas diárias. Ele resume essa transformação com clareza:
"Ser pai significa estar presente de verdade. Não é apenas cuidar ou prover, mas participar da criação, dividir responsabilidades, acompanhar cada fase do desenvolvimento e construir uma relação baseada no amor, no respeito e no diálogo."
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