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Pesquisa da Udesc Oeste desenvolve biscoito de guabiroba que reduz colesterol e regula glicemia
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- Equipe: Da esquerda para a direita: Vanessa, Aniela e Cristiane
Estudo realizado em Pinhalzinho utiliza extrato das folhas de planta nativa para criar alimento funcional com potencial para o mercado humano
Uma pesquisa inovadora conduzida no campus da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Pinhalzinho transformou folhas de guabiroba-amarela-da-mata em um aliado para a saúde cardiovascular. O estudo resultou na criação de um biscoito experimental que, em testes laboratoriais, demonstrou capacidade de reduzir o colesterol e controlar os níveis de açúcar no sangue. A fórmula, inicialmente testada com sucesso em cães, já possui parâmetros de segurança para ser adaptada ao consumo humano por indústrias e pequenos produtores.
A iniciativa faz parte do projeto Udesc+Ciência e foi coordenada pela professora Aniela Kempka, do Departamento de Engenharia de Alimentos e Engenharia Química. O foco do trabalho foi extrair compostos fenólicos das folhas da planta, substâncias conhecidas por suas propriedades antioxidantes. "A ideia foi transformar essa planta em um alimento e avaliar se ela poderia trazer benefícios para a saúde", explica a pesquisadora.
O poder das folhas e as propriedades da planta
Diferente do uso convencional da guabiroba, que foca no fruto adocicado, a pesquisa concentrou-se nas folhas da espécie Campomanesia xanthocarpa. Segundo Aniela, embora o fruto seja popular, as folhas são extremamente ricas em substâncias benéficas. "Descobrimos que o extrato dos frutos não tem a mesma potência, digamos, do que o das folhas, pois inibe menos enzimas", revela.
O processo de extração utiliza o método de infusão a quente, onde as folhas são secas e processadas em tempos controlados com água. No entanto, a professora faz um alerta sobre o preparo caseiro: "Não é simplesmente fazer um chá das folhas. No nosso estudo usamos um processo controlado de extração para concentrar as substâncias que trazem benefícios". A equipe precisou atingir o nível exato de concentração para garantir as propriedades medicinais sem atingir a toxicidade natural da planta.
"Nossa pesquisa serve de base para quem quer desenvolver alimentos funcionais a partir de matérias-primas regionais", destaca a professora Aniela Kempka.

Resultados e benefícios à saúde
Os testes foram realizados com cães da raça beagle na Fazenda Experimental da Udesc Oeste. Após 20 dias de ingestão diária, os animais apresentaram uma modulação gradual na frutosamina, marcador que reflete o açúcar no sangue. Além do controle glicêmico, o estudo detectou uma redução inesperada nos níveis de colesterol e melhora na função hepática.
Aniela pondera que, embora os resultados sejam animadores, o efeito não é milagroso ou imediato. "São necessários novos estudos, principalmente com pessoas, antes que possamos afirmar que esse tipo de alimento pode ser usado diretamente para tratar ou prevenir doenças. Mesmo assim, os resultados mostram que a guabiroba pode ter um grande potencial".
Valorização regional e novos horizontes
Para a pesquisadora, o projeto vai além da bancada do laboratório; trata-se de identidade regional. Ela questiona a falta de produtos nativos nas prateleiras: "Todo mundo associa Minas Gerais a queijo e doce de leite; Serra Gaúcha, a vinho. Por que não trazer foco para a nossa região por meio de uma matéria-prima regional?".
O estudo, encerrado em sua fase atual em dezembro de 2025, deixa o caminho aberto para o setor produtivo. "Meu maior desejo é que esse tipo de pesquisa ajude a transformar plantas da nossa biodiversidade em novas opções de alimentos que contribuam para a saúde das pessoas", finaliza Aniela. Atualmente, o Laboratório de Bioprocessos, sob sua coordenação, amplia suas investigações para compreender os efeitos de leites fermentados e de proteínas provenientes de leveduras do vinho, de fontes vegetais e do ovo sobre a saúde humana, mantendo como eixo central a aplicação do conhecimento científico voltado à promoção do bem-estar.
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