| As rotas de coragem e amor de quem faz da estrada o seu lar
Como as famílias Kaminski e Wickert transformam a agricultura em Pinhalzinho e Sul Brasil
O trabalho rural une a superação dos pioneiros e as inovações tecnológicas de ponta que alimentam o país
Antes que o sol desponte no horizonte e alcance as mesas das cidades, existe o silêncio sereno da madrugada que acolhe o passo firme e corajoso de quem vive da terra. São mãos calejadas pelo tempo, alimentadas por uma fé inabalável e marcadas pelo suor de uma lida diária que não espera pelo relógio. Celebrar o Dia do Colono e do Motorista é encarar a nobreza oculta no cheiro de terra molhada e reconhecer a bravura de famílias inteiras que transformaram o isolamento do passado na abundância e na dignidade do presente. No interior de Santa Catarina, a trajetória do campo ultrapassa métricas, safras ou números: trata-se da própria vida que pulsa no chão, do amor incondicional à vocação agrícola e da herança sagrada que atravessa o tempo, transmitida de geração em geração.
Inovação tecnológica e alta precisão nas propriedades
A tecnologia mudou radicalmente a rotina nas propriedades rurais do Oeste catarinense, garantindo alto nível de precisão, bem-estar animal e eficiência. Em Pinhalzinho, a Família Kaminski opera uma granja totalmente automatizada em parceria com a Cooperativa Regional Itaipu e a multinacional dinamarquesa DanBred. A estrutura conta com controle de climatização, piso vazado e um rigoroso sistema de rastreabilidade, no qual cada fêmea suína recebe uma tatuagem de origem e um brinco numerado que registra todo o seu histórico vacinal e genético em plataforma digital.
Paralelamente, em Sul Brasil, a Família Wickert mede a evolução tecnológica pelo impacto direto na colheita de grãos. Quando Marino Wickert e sua esposa Renilsa chegaram à propriedade em 1969, a lavoura era trabalhada de forma braçal com tração animal e queimadas, rendendo entre 15 e 30 sacos de milho por hectare. Com a introdução do plantio direto e a modernização do maquinário agrícola, a área de quase 60 hectares alcançou marcos históricos de produtividade, colhendo até 195 sacos de milho por hectare.
O desafio e a força da sucessão familiar
Assegurar a permanência das novas gerações no meio rural é um dos pilares para a sustentabilidade do agronegócio regional. Na propriedade da Família Kaminski, gerida por Gelson e Luciane com o apoio da filha Júlia, a jovem Thainá, de apenas 16 anos, assumiu a responsabilidade técnica pelas inseminações artificiais e pela reprodução suína. O profundo interesse de Thainá em dar continuidade às atividades rurais foi a motivação principal para a recente ampliação das instalações da granja.
Da mesma forma, a paixão pelo solo motivou o retorno de Paulo César Wickert às origens em Sul Brasil. Formado em técnica agrícola e contabilidade, Paulo decidiu deixar a cidade há 12 anos para assumir a gestão completa da propriedade e cuidar dos pais idosos, Marino, de 82 anos, e Renilsa. Unindo a bagagem acadêmica à experiência de vida da família, ele consolidou a profissionalização das lavouras de milho e soja.
Especialização e rigor nos processos produtivos
O alto nível de exigência do mercado atual exige especialização contínua dos produtores. A Família Kaminski atua em um estágio estratégico da cadeia suinícola conhecido como 4° sítio de recria. As fêmeas F1 passam por um período de cerca de oito meses de manejo rigoroso na propriedade e são entregues já prenhes aos produtores iniciadores e terminadores da região, economizando até 230 dias de preparação na propriedade compradora. A granja possui certificação GRSC e passa por auditorias frequentes para manter o status de livre das seis principais doenças do setor.
Em Sul Brasil, a Família Wickert promoveu uma reestruturação estratégica no seu modelo de produção ao longo das décadas. Após anos dedicados à pecuária leiteira e à suinocultura de ciclo completo, a propriedade concentrou as suas operações no cultivo mecanizado de grãos e criação de gado de corte, garantindo maior eficiência operacional e escala na gestão do solo.
Compromisso social e impacto na comunidade
O impacto do trabalho no campo ultrapassa as porteiras das propriedades e fortalece o convívio comunitário. A Família Kaminski mantém as portas abertas para turmas de estudantes da região, promovendo vivências educativas sobre preservação de nascentes, proteção de matas ciliares e respeito ao meio ambiente — projeto que inspirou uma proposta de lei municipal sobre educação ambiental no ensino público. A família também promove voluntariamente entregas natalinas de presentes para idosos e crianças do interior.
Essa dedicação ao coletivo é parte central da trajetória da Família Wickert em Sul Brasil. Como um dos fundadores da localidade, Marino Wickert exerceu a liderança comunitária por duas décadas, sendo o primeiro presidente da Comunidade de São Carlos Novo e participando ativamente da fundação da igreja, da escola e do ginásio local.
A história das famílias Kaminski e Wickert evidencia que o desenvolvimento do meio rural catarinense não é medido apenas em números de produtividade ou na modernidade das suas estruturas, mas no amor incontestável e na dedicação de quem faz da terra o seu sustento. Seja na superação dos primeiros pioneiros ou no empenho das novas gerações que assumem com orgulho a gestão dos negócios, o campo fortalece-se no equilíbrio perfeito entre o respeito às origens e a busca constante pela inovação.
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