| As rotas de coragem e amor de quem faz da estrada o seu lar
Conheça a trajetória de duas caminhoneiras que superam a distância da família e os desafios das rodovias para movimentar o país
O Dia do Motorista, comemorado em 25 de julho em homenagem a São Cristóvão, padroeiro dos viajantes, destaca o papel fundamental de quem atua no transporte rodoviário. No Brasil, mais de 60% de todas as cargas circulam pelas estradas. Isso significa que alimentos, remédios e produtos essenciais chegam aos lares graças ao trabalho diário desses profissionais.
Mesmo em um setor majoritariamente masculino, as mulheres conquistam cada vez mais espaço no comando de veículos pesados. Suas histórias revelam coragem, dedicação e superação frente às dificuldades do cotidiano nas rodovias.
De assistente social ao sonho no volante
Francieli Canova da Silva, de São Miguel da Boa Vista, atua há sete anos no transporte rodoviário. Formada em Assistência Social, ela decidiu mudar de área para realizar o sonho de dirigir veículos pesados e superar um período de depressão.
A trajetória de Francieli reflete coragem e determinação:
Mudança de carreira: Deixou o cargo público concursado e conquistou a carteira de habilitação categoria E.
Superação do preconceito: Enfrentou olhares desconfiados em balanças e pátios de carregamento, contando com o apoio do marido para enfrentar a estrada.
Empreendedorismo: Fundou com o companheiro a empresa BF Transportes.
Rotina atual: Viaja no mesmo caminhão com o marido e gerencia a parte burocrática e financeira de uma rede com cerca de 70 veículos.
Para Francieli, assumir o volante foi a melhor escolha de sua vida, permitindo transformar a própria realidade e inspirar outras mulheres.
Da área administrativa para a carreta graneleira
Formada em Administração, Aline Regina Garmus trabalhou durante dez anos na área administrativa. No entanto, percebeu que seu verdadeiro entusiasmo estava nas rodovias, acompanhando o marido em viagens durante as horas vagas. Ao surgir uma oportunidade na empresa onde o companheiro trabalhava, ela decidiu assumir a profissão de motorista profissional, acumulando quatro anos de experiência dentro do caminhão.
A rotina de Aline combina desafios e conquistas diárias:
Rotas extensas: Percorre trajetos pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em viagens que duram até 15 dias.
Rede de apoio: Conta com o suporte da mãe e do padrasto na criação do filho pré-adolescente durante os períodos fora de casa.
Preparo nas viagens: Sempre que o tempo permite, prepara as próprias refeições na caixa de cozinha equipada na carreta.
Motivação: Busca evolução constante e orgulha-se de servir de inspiração no setor.
Aline destaca que a distância da família é o ponto mais difícil, mas a evolução na carreira e a garantia de um futuro melhor para o filho compensam as renúncias.
Os desafios diários nas rodovias brasileiras
As trajetórias de Francieli e Aline revelam a realidade enfrentada por quem vive nas estradas. O cotidiano da profissão impõe barreiras que exigem força e resiliência:
Escassez de pontos de parada seguros para descanso e pernoite.
Falta de banheiros limpos e adequados para uso feminino.
Insegurança, risco de assaltos e fretes desvalorizados.
Demora e descaso durante os processos de carga e descarga nas empresas.
Saudade da família e perda de datas comemorativas ao lado dos filhos.
Apesar dos desgastes físicos e emocionais, a paixão pelo transporte e o orgulho de mover o país sustentam a jornada dessas profissionais. Suas histórias reforçam a importância da empatia, do respeito e da valorização a todos os motoristas brasileiros.
Deixe seu comentário