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Mulher denuncia violência obstétrica em SC: 'tortura psicológica'
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Pixabay -
Parto ocorreu no Hospital Regional do Oeste, em Chapecó e jovem relatou a situação à ouvidoria nesta semana
Apenas quase um ano após o nascimento do filho, Fernanda Wartha Gripa, de 25 anos, teve forças para falar sobre a violência obstétrica que sofreu durante o parto do filho no dia 29 de julho de 2021, no HRO (Hospital Regional do Oeste) em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina.
A violência foi relatada à reportagem do ND+ após Fernanda denunciar a situação à ouvidoria do HRO (Hospital Regional do Oeste) nesta segunda-feira (18).
"Eu não tinha denunciado ainda porque não tinha forças. Gostaria muito de encontrar outras mulheres que passaram pelo mesmo e aceitem denunciar".
Fernanda relata sua experiência de parto e se emociona ao lembrar com tristeza das horas que passou no hospital. "Eu lembro do meu parto, eu não estava idealizando nada, só queria um parto respeitoso. Queria uma experiência descente e minha experiência foi de violência".
A vítima conta que implorou para as enfermeiras e pediu ajuda. Fernanda diz ainda que não se tratava da dor do parto, mas sim de uma crise de ansiedade. Ela afirma que sofre de ansiedade crônica e crise de bipolaridade e que a médica que a acompanhava estava ciente disso.
"Eu não via a hora de ir embora daquele lugar. Eu estava sendo torturada, tortura psicológica", conta Fernanda muito emocionada.
A vítima diz que criou um grupo em uma rede social para reunir as mulheres que conheceu que viveram situações parecidas com a dela. Porém, nenhuma outra mulher se sentiu confortável para fazer a denúncia.
Por meio de assessoria, o HRO informou que o registrou da ouvidoria é de fevereiro deste ano e que a resposta foi enviada no dia 24 de março. "A Instituição fez os esclarecimentos à paciente", informou a assessoria de imprensa do hospital.
Com relação a uma nova denúncia que tenha sido feita nesta segunda-feira, o hospital disse que as informações ainda não estão disponíveis e pela legislação ela deve receber um comunicado no prazo de 10 dias se os dados estiverem imediatamente disponíveis, caso contrário em 20 dias, com possibilidade de prorrogação por mais 10 dias.
Fernanda disse que não se recorda de ter feito a denúncia em fevereiro, mas mesmo assim diz que não recebeu nenhuma resposta do hospital.
A Prefeitura de Chapecó também foi acionada e em resposta a assessoria informou que o HRO não é de sua responsabilidade.
O relato
Fernanda relata a angústia que lhe causou estar no hospital, ela disse que ficou com raiva de estar lá e se sentir presa. "Depois do parto eu fiquei com raiva de ficar presa no hospital, eu fiquei presa lá para ser torturada. Não recebi nenhum apoio em nada, nada".
"Se eu tinha que ficar no quarto era para receber apoio. E em momento nenhum recebemos apoio. Eu estava exausta, o pai do meu filho estava exausto. E as enfermeiras iam lá fazer tortura psicológica".
Conforme a legislação, fazer graça ou recriminar a mulher por qualquer comportamento como gritar, chorar, ter medo, vergonha ou dúvidas, também são enquadrados como violência. Além disso, o ato de não ouvir as queixas e dúvidas da mulher internada e em trabalho de parto configuram o crime.
"Eu ouvia coisas como 'da a teta pra essa criança, se não vocês não vão embora' ou quando eu não vi que o bebê fez coco porque eu estava exausta e elas me ameaçaram de chamar o Conselho Tutelar". Fernanda relata que não tem o menor sentido falar isso para uma mãe.
Além da falta de assistência e do desrespeito, Fernanda relata que sentiu que a violência também estava ligada ao pai do bebê ser de origem haitiana. "Ofereceram roupa para o meu bebê e não ofertaram para o casal do lado. Quando conversamos com eles percebemos que tinham a mesma condição econômica que nós".
O que diz a Lei
No Capítulo V da Lei Nº 18.322, está prevista a implantação de medidas de informação e proteção à gestante contra violência obstétrica. A violência pode ser entendida tanto como verbal quanto física.
Conforme a legislação, é considerada "violência obstétrica todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda, no período puerpério.
Entre os artigos previstos na lei e caracterizados como violência obstétrica, está o tratamento da gestante de forma agressiva, com grosseira, zombeteira, ou qualquer outra forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido.
Como denunciar?
Em caso de violência obstétrica, é possível denunciar por meio do Disque 136 ou pelo Disque 180 de Denúncia de Violência contra a Mulher. Além disso, a ouvidoria do hospital ou os conselhos profissionais, como o CRM (Conselho de Classe dos Médicos) e o Coren (Conselho Regional de Enfermagem).
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